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Oficina Até o Centro – 3º dia

O terceiro dia de oficina começou com chuva, o que quase frustrou as intervenções que tínhamos planejado de véspera. O Bruno tinha proposto uma pintura com silhuetas que fotografamos no primeiro dia e eu, Bruno e Cherém ficamos um tempo considerável na função de preparar o material pra esse trabalho. Depois de tudo pronto nós pegamos o ônibus junto com as meninas Marina, Aline e Suellen e descemos na hora que achamos um muro bom – as meninas seguiram viajem com alguns stencils e sprays nas mochilas.

O muro que escolhemos ficava num lote barrento em demolição. Lá no fundo, perto de onde a gente ficou tinha uma fossa sanitária bem fedorenta de onde pipocavam uma porrada de bichinhos pretos que infestaram nossas roupas logo que chegamos. Como a gente não sabia do que se tratava começamos nossa pintura e ignoramos os insetinhos. Não demoramos muito na pintura, mas foi tempo suficiente para os tais bichinhos tomarem conta de nosso corpos totalmente. Toda hora a gente se sacudia um pouco e ajudava uns aos outros dando tapinhas pra limpar os bichos. Levantamos hipóteses: carrapatos, pernilongos, mosquitos… era um pouco pior, a gente tava infestado de pulgas!

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DSC00602pulgas em todo canto!!!

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Depois de nos limpar como podíamos seguimos em frente para continuar aplicando as máscaras com as silhuetas. Logo a frente vimos as meninas do outro lado da avenida mandando os stencils que elas fizeram e um pouco adiante encontramos um outro bom muro para continuar o trabalho – sem pulgas dessa vez! O lugar era incrível! Ficava logo atrás desse viaduto temporário de andaimes que você pode ver no cabeçalho do blog aí em cima, num pedaço super intenso da obra. No meio do trânsito frenético de carros, trabalhadores, vigas, cidadãos, nós ocupamos mais um pedacinho de cidade com nossas pinturas. Aos poucos foram chegando mais gente e nós fomos explorando as ruínas em volta. É difícil não ficar encantado com as ruínas. De repente aquele monte de cômodos livres, cenários incríveis, espaços a explorar, lugares pra subir, novos patamares, novos pontos de vista da avenida! O pessoal se jogou totalmente!

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Voltamos pra casa mais uma vez com a sensação de missão cumprida e com as relações com a rua renovadas. Tínhamos vivido novas experências, transformado as perspectivas, experimentado outra avenida. Faltava apenas o último passo: produzir o fanzine!

[fazem cinco dias que eu coço como um louco, desde então]

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Oficina Até o Centro – dia 2

No segundo dia, finalmente, a oficina saiu a campo. Pegamos um ônibus que faz retorno no centro, fomos até o centro literalmente, voltamos pela mesma Antônio Carlos e as pessoas foram descendo na avenida de acordo com o que pretendiam explorar daquele espaço. O meu grupo desceu no edifício IAPI, por sugestão do Márcio, e eu finalmente conheci esse conjunto habitacional da década de 50 (que dizem ser uma obra renegada de Oscar Niemeyer).

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Acho até engraçado pensar que passei tantos anos nessa avenida, estou há mais de um ano nessa investigação da Antônio Carlos e nunca tinha entrado no IAPI. O que eu vi foi totalmente diferente do que eu imaginava de lá. A impressão que tive, reforçada pelas falas dos próprios moradores, foi de que aquele lugar era uma cidade do interior no meio da cidade grande. O clima lá dentro foge totalmente do clima caótico da avenida em obras, apinhada de automóveis, barulho e gente, há alguns metros. Tudo mais tranquilo e silencioso por lá. A comunidade, pelo que tivemos notícia, é unida e representada por uma associação de moradores bastante ativa. Existe a vontade entre os moradores de cercamento do conjunto como um condomínio particular, o que não ocorre, segundo um morador, por causa da escola pública que existe lá dentro. Cercado ou não o IAPI parece protegido do caos urbano, de qualquer forma. Fizemos alguns áudios com os moradores, em breve posto eles por aqui.

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SDC15197Grafite do Trampo, de Porto Alegre, no IAPI.

Por fim nos reunimos no fim do dia num boteco perto da UFMG para trocar as experências entre nós. Foi bem interessante ver o relato de cada um e ver como surgiam diferentes pontos de vista e diferentes histórias sobre a avenida. Começaram a surgir as idéias para a publicação e a se esboçarem os primeiros recortes temáticos. Planejamos algumas intervenções para o dia seguinte e ficamos na torcida para a chuva não atrapalhar nossos planos.

Oficina Até o Centro – 1º dia

No primeiro dia de oficina nos reunimos numa sala da Fafich e apresentamos para os oficineiros a proposta e algumas experiências relacionadas com a avenida para ventilar as idéias. Infelizmente, por falta de tempo, não conseguimos fazer o percurso da avenida de ônibus até o centro, como tinha sido planejado, mas tá valendo. Contamos com a presença do Joel, taxista dono de um acervo de fotos muito interessante da Antônio Carlos, da Juliana Gouthier, professora de Escola de Belas Artes, responsável por sepultar com cruzinhas de pau as árvores cortadas na Antônio Carlos durante as obras de duplicação (intervenção que você pode conferir em fotos aqui ou no vídeo abaixo), e ainda da professora da Faculdade de Educação Mônica Meyer, que colocou algumas questões interessantes sobre o histórico da avenida, sua função social e os desdobramentos futuros de suas modificações.

Escutamos muitas histórias  da avenida e da cidade levadas pelo tempo, principalmente nas falas do Joel, que soube situar bem os contextos históricos dos momentos importantes para a Antônio Carlos e lembrou de fatos bem curiosos (como por exemplo o que segundo ele foi a primeira desapropriação da Antônio Carlos – um posto de gasolina na Lagoinha -, para a construção, no seu lugar, de uma pracinha, do mesmo tamanho). Na sequência tive a oportunidade de mostrar para o pessoal algumas das intervenções feitas ao longo desse processo de pesquisa que o zine AC iniciou, como a ocupação coletiva de uma casa em demolição e o painel “Pedra e tanque são mais que notícias”. A idéia era estimular um olhar menos passivo sobre o nosso tema – a avenida – e priorizar o processo, enquanto vivência e troca direta com a rua, em oposição ao mero resultado final.

Em conclusão, se não conseguimos sair a campo hoje, como era previsto, pelo menos tivemos a oportunidade de trocar bastante informações e levantar questões e aspectos da Antônio Carlos interessantes para os oficineiros iniciarem seus trabalhos. Agora é mão na massa! Amanhã nem chegamos a nos reunir em ambiente fechado, a cara é a rua mesmo! Mando mais notícias em breve!

VII Semana de Ciências Sociais

Opa! Depois de um tempo parado o blog do zine Até o Centro volta a ativa com a oficina Antônio Carlos Até o Centro, que faz parte da programação da Sétima Semana de Ciências Sociais – Reflexões sobre o urbano, na Fafich/UFMG.

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A oficina começa na segunda-feira, dia 24, e até o dia 26/8 propõe aos seus participantes um contato direto com a rua ao longo do percurso da avenida Antônio Carlos. Dentro da temática do encontro – “Reflexões sobre o urbano” – a idéia é que cada participante da oficina vivencie e interfira na avenida, produzindo ao final material para ser impresso numa edição especial do zine Até o Centro. Esperamos assim ampliar a reflexão em cima da Antônio Carlos e nos abrir para novas possibilidades dentro dessa temática.

O processo da oficina poderá ser acompanhado aqui no blog durante a semana.