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Como se…

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Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados para passarmos. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Ruínas de vida para abrir o caminho. Memórias que se escondem em lugares que não vemos, em pessoas que não percebemos, porque passamos, num passo de tempo apressado. Sentimos e ouvimos notícias de outros ontens, resquícios do que havia. Tudo que víamos agora não é mais, é outra coisa, e não estranhamos. Como se não fôssemos estranhos!

Caminhamos mais rápidos do que nossos passos, que já não cabem no tempo para transpor o caminho. Somos tantos e estamos em tantos lugares que nossos corpos se encontram em si mesmos e em outros apenas quando convêm. Definimos nosso tempo pelo que foi definido por outro, alguém indefinido. E todo o espaço que ocupamos parece obedecer, como se não parássemos!

As memórias dos que pararam, dos que antes ficaram, não são concretas, então, como se não existissem, viram passado. Embaixo do caminho, não vemos, não sentimos, não estranhamos. Dentro da nossa definição, talvez seja isso que buscamos. Como se não passássemos!

Pra Antônio Carlos,
luminosa linha eterna
(não mais) cercada de árvores.

Foto e texto por Marina Teixeira

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DSCF1976Arieth, Rupestres Crew – foto por Marina Teixeira