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Torre.concreto.madeirite.asfalto.

SDC12336 …  o tempo passa na avenida …

Parafraseando o Mundano, artista urbano de SP, “é muito teto caindo e muita gente sem teto”

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Duplicando problemas

sdc11531A avenida Antônio Carlos está passando pelo já conhecido por nós processo de duplicação de suas vias de circulação. Em breve a avenida será uma “via rápida”, um elo de conexão que se pretende eficiente entre o centro e a mais nova área de expansão/acumulação-do-mercado-imobiliário da metrópole belzontina: a Zona Norte – onde se localiza a nova Sede Administrativa do Governo do Estado, o Aeroporto de Confins e onde aparece a cada dia um novo empreendimento imobiliário (condomínios de luxo, centros comerciais, etc.). Os motoristas certamente andam ansiosos pela conclusão da obra, pelas pistas novas em folha que os guiarão até o lugar aonde realizam o dinheiro em suas tediosas jornadas de trabalho. Uma cidade asfáltica, espaço de circulação de mercadorias. A duplicação da avenida traz ares de progresso ao Curral Del Rey. O que poderia afinal ser mais progressista do que mais pistas para mais carros?

Uma nova avenida custa caro – e nem estou falando, nesse caso, dos valores das licitações para as obras. Uma avenida maior e mais rápida exige que moradores sejam inconvenientemente expulsos de suas moradias, pois “enfeiam” o espaço e “atravancam o progresso da cidade” (e pra onde vão? pra periferias tão distantes do centro que condicionam todo o chamado “tempo livre” a viagens intermináveis em ônibus lotados). Mais pistas custam os canteiros centrais e suas árvores, como as da foto (tão-somente lamentadas por cruzinhas de pau). Uma avenida nova, padrão internacional, custa o precioso espaço da cidade – já tão distante de atender às reais necessidades do cidadão – que deixará então de ser espaço público em seu sentido amplo e será destinado à circulação das propriedades particulares dos possuidores de automóveis. Uma via mais rápida de circulação certamente cobrará seu preço com muitas vidas humanas levadas pelos “acidentes” de trânsito. [“Acidentes” que no Brasil são a segunda maior causa de morte, só perdendo para os homicídios. Só em Belo Horizonte, em um único ano (2006), 704 pessoas morreram nestes “acidentes”]. Uma Antônio Carlos duplicada custará muito ainda ao futuro, às gerações vindouras que verão as largas avenidas de hoje serem novamente pequenas para comportar o crescimento econômico (pra quem?) e o “sucesso estrondoso” da indústria automobilística (injustamente alavancadas por incentivos fiscais de políticas imediatistas e descompromissadas com o bem-estar das cidades).

Cabe perguntar (afinal o questionamento leva no mínimo à dúvida e ao incômodo): a quem serve uma duplicação dessas?

Simultâneamente publicado no blog DeMagrela: demagrela.blogspot.com

A seta que seguiu rumo ao centro

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Vi essa seta um dia desses subindo a Antônio Carlos até o centro e ela apontava pro centro mesmo.

Deve ser vontade dela de ir pra lá, porque meses antes ela tinha sido pintada nessa manilha, só que pelo menos 500 metros de distância de onde ela estava nesse dia. Pra uma manilha sem pernas, pesando quilos de concreto, 500 metros em alguns meses é considerável. Se não metem ela solo abaixo até ano que vêm, quem sabe, chegava na Afonso Pena.