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A seta que seguiu rumo ao centro

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Vi essa seta um dia desses subindo a Antônio Carlos até o centro e ela apontava pro centro mesmo.

Deve ser vontade dela de ir pra lá, porque meses antes ela tinha sido pintada nessa manilha, só que pelo menos 500 metros de distância de onde ela estava nesse dia. Pra uma manilha sem pernas, pesando quilos de concreto, 500 metros em alguns meses é considerável. Se não metem ela solo abaixo até ano que vêm, quem sabe, chegava na Afonso Pena.

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lembrando que o zine AC prossegue com as portas abertas a todo tipo de experimentação, criação, sugestão, intervenção, palavrão, fotografias, textos, questionamento, envolvimento… e deixamos a sugestão para que você se deixe guiar pela avenida, se perturbe com suas rachaduras, se surpreenda com suas infinitas idas e vindas e seu transeuntes tão únicos que se confudem. entre numa casa abandonada, conhece seus moradores temporários, tente entender que em breve tudo aquilo vai virar asfalto preto para automóveis…

a avenida continua carregando vidas pra lá e pra cá, transbordando em cada bairro.

Até o Centro

até o centro, todos os dias, nas metrópoles do mundo inteiro, bilhões de cidadãos se deslocam na rota que vira rotina – do bairro ao centro, do centro ao bairro. a paisagem vira cotidiano e o cotidiano esmaga a paisagem em turnos de picos na circulação. quem dita o fluxo é o que chamamos abstratamente de capital, uma força normalmente maior que a nossa própria, que nos obriga a trabalhar no que não queremos, para quem não gostamos, por objetivos que não dizem respeito nem a nós nem a nossa comunidade – para produzir e consumir o que não precisamos. rota de criaturas urbanas na luta pela sobrevivência. é o preço do “progresso”, que agride a todos mas do qual ninguém abre mão. como deixou dito Chico Science, “a cidade não pára, a cidade só cresce: o de cima sobe e o debaixo desce”.

até o centro é pra onde leva a avenida antônio carlos. uma grande artéria como outra qualquer no sistema de circulação de riquezas do organismo-cidade. não existe um motivo especial para termos escolhido esta avenida. aliás, existe um: é mais uma avenida usada constantemente no dia-a-dia das pessoas. poderia ser outra qualquer – qualquer outra carregaria consigo os mesmos grafites e pixos que aquela; quer dizer, quase os mesmos, mas não faz diferença. não estamos querendo ser saudosistas com a avenida antônio carlos; queremos mostrar a avenida. de cabo a rabo é um produto do meio, quando não é o próprio meio, sendo criada pelo – e criando – o cidadão. a avenida, uma vez que é essencial para o “progresso” da cidade, para fazer funcionar o sistema de riquezas em que estamos metidos, carrega consigo na mesma medida as sequelas desse progresso limitado: as margens e os marginais. e não adianta duplicar pistas, estampar o logotipo da prefeitura com sorrisos, tapar os buracos, reprimir os nóias, apagar os grafites. um sistema de exclusão necessáriamente tem de conviver com o excluído.

até o centro grafites, prédios, comércios, pedras de crack, muros, publicidades, animais urbanos, pessoas e expectativas – todos nascem, sobrevivem e morrem. quem está envolvido com isto, fazendo a trilha de asfalto pra lá e pra cá, respirando o percurso poeirento da antônio carlos vida afora, sabe que as fachadas, os pixos, linhas de ônibus, os cartazes nos postes, os botecos mal tratados, policiais, bandidos e cidadãos de todo tipo contam uma história underground da cidade. história sem h maiúsculo, vivida numa esquina e esquecida na outra, longe dos braços da lei, da análise das academias, do padrão do consumo – tudo junto e misturado, construindo a realidade coletiva. vidas vão e vêm até o centro. até o centro a história se faz e se dissolve.

Salve salve, rapaziada!

Enquanto vamos imprimindo a versão aperitivo do fanzine nos porões serigráficos vocês conferem aqui no blog um registro dos grafs e pixos da Antônio Carlos. São fotos de arquivo pessoal que fui juntando ao longo de várias idas e vindas na AC e dando uns rolés de bike exclusivamente para fotografar a avenida, mais colaborações que foram chegando da galera interessada no fanzine. O resultado é um apanhado bem rico de registros de arte urbana, muitos dos trampos já atropelados (políticos FDP`s!!!) ou demolidos… Vou postando aos poucos, selecionando o que há de melhor na minha opinião. Em breve vou postar uns textos sobre o assunto. (e claro, fiquem a vontade pra mandar mais fotos!!!)

Lembrando que nosso objetivo aqui é agregar material, discussões e reflexões! O email do fanzine é aczine@gmail.com e estamos sempre em busca de novas coisas para somar na nossa pesquisa!

Divulguem o blog!

vamo que vamo!

dereco

Iniciando os trabalhos!

AC

AC

Bem vindo ao blog do zine Até o Centro!

Estão iniciadas as transmissões para a construção do fazine que irá explorar a avenida Antônio Carlos de ponta a ponta e nosso convite é para que você faça parte dessa investigação. Mais informações no link lateral “Sobre o AC”.

Neste blog serão compartilhados os materiais recebidos e produzidos para o fanzine, além de servir de palco para as discussões sobre a avenida e suas poéticas, suas histórias, seus caminhos… Frenquente, faça parte!

“O processo é lento, mas é assim que a gente vai pra frente.”