Duplicando problemas

sdc11531A avenida Antônio Carlos está passando pelo já conhecido por nós processo de duplicação de suas vias de circulação. Em breve a avenida será uma “via rápida”, um elo de conexão que se pretende eficiente entre o centro e a mais nova área de expansão/acumulação-do-mercado-imobiliário da metrópole belzontina: a Zona Norte – onde se localiza a nova Sede Administrativa do Governo do Estado, o Aeroporto de Confins e onde aparece a cada dia um novo empreendimento imobiliário (condomínios de luxo, centros comerciais, etc.). Os motoristas certamente andam ansiosos pela conclusão da obra, pelas pistas novas em folha que os guiarão até o lugar aonde realizam o dinheiro em suas tediosas jornadas de trabalho. Uma cidade asfáltica, espaço de circulação de mercadorias. A duplicação da avenida traz ares de progresso ao Curral Del Rey. O que poderia afinal ser mais progressista do que mais pistas para mais carros?

Uma nova avenida custa caro – e nem estou falando, nesse caso, dos valores das licitações para as obras. Uma avenida maior e mais rápida exige que moradores sejam inconvenientemente expulsos de suas moradias, pois “enfeiam” o espaço e “atravancam o progresso da cidade” (e pra onde vão? pra periferias tão distantes do centro que condicionam todo o chamado “tempo livre” a viagens intermináveis em ônibus lotados). Mais pistas custam os canteiros centrais e suas árvores, como as da foto (tão-somente lamentadas por cruzinhas de pau). Uma avenida nova, padrão internacional, custa o precioso espaço da cidade – já tão distante de atender às reais necessidades do cidadão – que deixará então de ser espaço público em seu sentido amplo e será destinado à circulação das propriedades particulares dos possuidores de automóveis. Uma via mais rápida de circulação certamente cobrará seu preço com muitas vidas humanas levadas pelos “acidentes” de trânsito. [“Acidentes” que no Brasil são a segunda maior causa de morte, só perdendo para os homicídios. Só em Belo Horizonte, em um único ano (2006), 704 pessoas morreram nestes “acidentes”]. Uma Antônio Carlos duplicada custará muito ainda ao futuro, às gerações vindouras que verão as largas avenidas de hoje serem novamente pequenas para comportar o crescimento econômico (pra quem?) e o “sucesso estrondoso” da indústria automobilística (injustamente alavancadas por incentivos fiscais de políticas imediatistas e descompromissadas com o bem-estar das cidades).

Cabe perguntar (afinal o questionamento leva no mínimo à dúvida e ao incômodo): a quem serve uma duplicação dessas?

Simultâneamente publicado no blog DeMagrela: demagrela.blogspot.com

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