Um vasto e único dia burguês

P1010715

P1010677

O transporte liga dois pontos por algumas horas. Devido ao encolhimento do planeta, decorrente de uma superabundância espacial do presente, linhas são construídas para viabilizar o acesso a esses pontos. No entrecruzamento virtualmente infinito dos destinos as referências se multiplicam por entre as janelas. Meios de transporte tornam-se lugares habitados a partir de uma configuração instantânea de posições, em meio a passagens provisórias e efêmeras. Cada corpo ocupa o seu lugar num mundo prometido à individualidade, perpassa(n)do pela paisagem-texto. Passar. Não parar. Palimpsestos espaço-temporais em que constantemente se reinscreve o jogo da identidade e da relação. A sociedade inorgânica é uma abundância de vazios densamente povoada por tensões solitárias.P1010841

P1010864

Texto e fotos por Henrique Rodrigues, originalmente publicados no zine Até o Centro edição especial

Cada um na sua ilegalidade

Untitled-1

Crick, Arco, Sed e… Fábio Zói

Postando essa foto lembrei de uma vez, na última eleição, que estava avacalhando os pôsteres (ilegais) dos candidatos da vez na Antônio Carlos com meu chegado Quinto, metendo tinta no rosto dos figuras, e parou um sujeitinho num Marea e veio questionar agressivamente por que a gente tava fazendo aquilo. Falamos que não concordávamos nem com o sistema político representativo nem com a publicidade nociva dos cartazes e íamos desembolando a idéia quando o cara veio dizer que fazia parte da campanha do Fábio Zói e abriu o porta-malas lotado de cartazes e santinhos pra gente ver. O grande argumento do cara pra gente não zuar os cartazes do Fábio Zói (mas continuar zuando os outros, claro) era de que o cara era da favela, “é humilde, cara” e que ele não atropelava grafite de ninguém. Depois sugeriu, com um jeitinho matreiro que era “bom ficar esperto, cara. Tem muito capanga de candidato que anda armado aí, se ver vocês fazendo isso pode ficar ruim pro seu lado“.

O Fábio Zói não… o Fábio Zói é da favela… esse faz! (…)

Como se…

DSCF1994

Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados para passarmos. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Ruínas de vida para abrir o caminho. Memórias que se escondem em lugares que não vemos, em pessoas que não percebemos, porque passamos, num passo de tempo apressado. Sentimos e ouvimos notícias de outros ontens, resquícios do que havia. Tudo que víamos agora não é mais, é outra coisa, e não estranhamos. Como se não fôssemos estranhos!

Caminhamos mais rápidos do que nossos passos, que já não cabem no tempo para transpor o caminho. Somos tantos e estamos em tantos lugares que nossos corpos se encontram em si mesmos e em outros apenas quando convêm. Definimos nosso tempo pelo que foi definido por outro, alguém indefinido. E todo o espaço que ocupamos parece obedecer, como se não parássemos!

As memórias dos que pararam, dos que antes ficaram, não são concretas, então, como se não existissem, viram passado. Embaixo do caminho, não vemos, não sentimos, não estranhamos. Dentro da nossa definição, talvez seja isso que buscamos. Como se não passássemos!

Pra Antônio Carlos,
luminosa linha eterna
(não mais) cercada de árvores.

Foto e texto por Marina Teixeira

DSCF1976Arieth, Rupestres Crew – foto por Marina Teixeira

Fibra

Snexs, Seda, Cossi_pixo_Figo_bomb_Antônio CarlosNa cena nomes de Snexs, Seda, Cossi e JK nos pixos e Figo no bomb.

páginas amarelas

Surto, Bagio, SVC, Gud, Testa, Amigo, Quinto, Mar, Lax_bomb_Antônio Carlos

quem lembra dessa parede?

Enfim, o resultado!

Depois de três dias de oficina, em que cada participante seguiu seu rumo e se embrenhou como preferiu na avenida (o que postei aqui anteriormente foi só a parte que eu estava presente), chegou a hora de diagramar o material produzido num período mínimo de tempo (a oficina terminou na quarta a tarde e o fanzine deveria ser lançado na sexta a tarde, no encerramento do evento!). Contei com a ajuda fundamental da Clarice Lacerda (a.k.a. Clacla) que virou a madrugada junto comigo e diagramou, diagramou até não funcionar mais de tanto cansaço. Mas valeu a pena a correria! 200 exemplares da edição especial do zine estavam impressos na sexta a tarde como combinado, e o resultado foi excelente! O fanzine foi muito bem recebido pelo pessoal do evento e pelas outras pessoas que conseguiram um exemplar. Não foi por menos, os participantes da oficina se envolveram com a idéia e com as ruas e produziram um material com conteúdo!

Imagem2

200 fanzines é muito mas não é o bastante. Infelizmente não dá pra distribuir pra todo mundo. Por isso estou disponibilizando uma versão digital dessa edição especial, em formato PDF. O arquivo ficou meio grande mas com fé no são download e na santa banda larga ele chega aí! Para baixar é só clicar aqui ou na capa do zine aí em cima.

Minha gratidão e parabéns para o Cherén, Marcinho, Henrique, Álida, André, Bruno, Gustavo, Marina, Suellen, Aline e Melissa – os oficineiros que se jogaram na proposta e produziram um material de primeira! Agradeço ainda à Mônica, à Juliana e ao Joel pela participação. Por fim, minha gratidão profunda pela ajuda da Clacla e do Thales e pelo convite do pessoal do PET – Ciências Sociais. Valeu demais!